Cassação da deputada Eurides Brito


No dia 22/06, os dois telejornais selecionados para análise comparativa da linguagem, Jornal Nacional e Jornal da Noite (Band), noticiaram a cassação da deputada distrital Eurides Brito (PMDB), por quebra de decoro parlamentar.
No Jornal Nacional, seguindo a estrutura tradicional da reportagem, a notícia foi introduzida pelo apresentador William Bonner. Logo, um repórter detalha o ocorrido, enquanto são exibidas cenas da deputada colocando o dinheiro na bolsa, filmado por Durval Barbosa, e cenas do momento da votação dos deputados. No final, o repórter acrescenta os nomes e situações dos outros envolvidos no mensalão do DEM.
No Jornal da Noite, não foram exibidas cenas adicionais ao relatar a notícia, porém, o próprio apresentador, após destacar que Eurides foi a primeira parlamentar cassada entre os oito investigados, teve espaço para um comentário e opinou a respeito do ocorrido:
“Foi uma boa notícia a cassação dessa senhora flagrada metendo dinheiro público na bolsa. Agora, resta aguardar a decisão da justiça, até porque lugar de ladrão é na cadeia. No entanto, os outros envolvidos ainda estão aí, absolutamente livres. E preste atenção, falando nos afana-afana – que é o movimento para flexibilizar o ficha limpa, que estou chamando de afana – isto está sendo feito sob a desculpa que a justiça não dará conta de todos os recursos. Cabe à justiça não esmolecer frente aos afana-afana e fazer uma ampla sepsia na política brasileira, que é um dos grandes anseios da população deste país.”
Ao expor tal tipo de comentário, utilizando o termo convidativo “preste atenção”, o apresentador atua na tentativa de aproximação com o telespectador, buscando estabelecer um efeito de credibilidade e cumplicidade. Por exemplo, a frase “até porque lugar de ladrão é na cadeia” aproxima a linguagem do comentarista ao pensamento majoritário da sociedade. Ao concluir, Boris Casoy afirma que uma ampla sepsia na política é um dos grandes anseios da população brasileira, dessa forma, ele próprio torna-se a voz da população e, consequentemente, do telespectador, que, sendo parte desta população, pode ou não desejar o referido, mas, na voz do jornal, deseja.

Por Nayane
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A Política por duas vias


Possível espionagem do PT contra o candidato do PSDB à presidência, José Serra, tramita pela mídia brasileira. O delegado aposentado da Polícia Federal, Onésimo de Souza, afirma ter recebido proposta para levantar informações a respeito de José Serra. Segundo Onésimo, a proposta partiu de quatro pessoas: Idalberto Matias de Araújo, sargento da reserva da aeronáutica, Bendito Oliveira Neto, empresário, e dos jornalistas Amauri Ribeiro Júnior e Luiz Manzeta, todos supostamente ligados ao comitê de campanha de Dilma Rouseff.
Segundo reportagem exibida pelo “Bom Dia Brasil”, da Rede Globo, o delegado aposentado não apresentou novos argumentos em seu depoimento ao Congresso, além dos quais já havia relatado à revista “Veja”. Ele afirma ter recebido a proposta de R$160 mil mensais para realizar o trabalho, que, a princípio, seria proteger informações do comitê de campanha do PT, no qual havia suspeita de vazamento de informações e, posteriormente, espionar o candidato do PSDB. Onésimo afirma ainda ter recusado a proposta por não ser compatível com os princípios legais. Dilma Rousseff, em entrevista à rede Globo, afirma não ter relação com os envolvidos e que o Partido dos Trabalhadores não pode se responsabilizar-se pelo fato.
O “Jornal da Record” forneceu informações semelhantes a respeito do fato, porém de maneira rápida e  genérica. O fato foi abordado somente pelo apresentador do Jornal. Não foi realizada uma reportagem, dando espaço para depoimentos de Onésimo e de representantes do comitê de campanha do PT, como no caso da rede globo, que demonstrou maior equilíbrio no noticiamento do fato.  
A apresentação superficial de uma notícia, como no caso do Jornal da Record, pode significar o desinteresse em divulgar aquele fato. Ao passo que o aprofundamento no fato noticiado, através de uma reportagem, pode revelar interesses diversos, a depender do conteúdo reportado. No caso da reportagem do Jornal da Globo, foi possível perceber um grau satisfatório de equilíbrio jornalístico, não havendo tendência precipitada para nenhum dos lados da contenda em questão. É isso, aliás, que se deve esperar de um meio de comunicação com interferência tão significativa no imaginário popular de um país.


Por Franklin
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O Forró Midiático


           Revista Época                                                  Revista IstoÉ

As edições dos dias 07 e 16 de junho das Revistas ÉPOCA e ISTOÉ, trazem, respectivamente, em um de seus espaços culturais, uma crítica ao mais novo CD do cantor Gilberto Gil, batizado de "Fé na Festa".
Ambas as revistas citam a sonoridade que Gil adota em seu mais recente trabalho, fortemente influenciado por ritmos nordestinos, tais como o baião, o xote e o forró.
Porém as semelhanças param por aí. ÉPOCA trás um texto mais elaborado, onde é apresentada a trajetória de vida do cantor desde sua infância até os tempos de ministro do governo federal, e também as fortes inspirações em outros cantores do gênero na produção do novo CD, enquanto a revista ISTOÉ apresenta apenas um texto mais enxuto, onde o novo trabalho de Gil é apresentado praticamente como “apenas mais um”. Também um breve comentário sobre algumas das faixas que compõe o novo álbum.
Destaca-se também a diferença nos títulos das duas críticas do álbum. Enquanto a revista ÉPOCA adota uma linguagem mais informal e “brincalhona” com a figura de Gil, ao dar o título na crítica de “Um Gil com pipoca e quentão”, a ISTOÉ prefere ser mais formal ao intitular “O arraial do Gil: O cantor e compositor Gilberto Gil faz aniversário na semana das festas juninas, entre os dias de São João e de São Pedro”.
                                                                                          Por Pedro Carozzi e Felipe Macedo
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Programação Infantil em Rádios Educativas


              
            Desde o seu surgimento no Brasil, em 1923, o rádio passou por diversas transições estruturais e tecnológicas. Com o advento da televisão e posteriormente da internet, vem sendo uma constante o questionamento a cerca da manutenção desse tipo de mídia, já que novas linguagens se configuram no cenário pós-moderno. As linguagens híbridas, dotadas de imagens, sons e textos em tempo real, que suprimem as necessidades da corrida contra o tempo do homem contemporâneo, substituem a dinâmica da comunicação radiofônica?
            Muitos profetizam a extinção do rádio nesse novo contexto de linguagens. Por outro lado, existem emissoras educativas que apostam na criação de programas inusitados. E ainda, voltados para um público que raramente se encontra na qualidade de alvo das mídias radiofônicas comerciais.
            As rádios USP FM 93,7 Mhz e MEC AM 1130 e 800 Khz, ambas de São Paulo, são emissoras educativas que possuem em suas grades programas destinados ao público infantil: “Assobio49” e “Rádio Maluca”. O primeiro, da Universidade de São Paulo, e o outro, do Ministério da Educação e Cultura, contemplam a criatividade e estimulam a imaginação das crianças do Brasil.
            “Assobio49” surgiu em 2009 e é apresentado pelo próprio professor de música da USP - Pedro Paulo Salles - e pela garota de apenas dez anos, Júlia Stange, vai ao ar todo 1º domingo de cada mês às 08h30min, com reprise na manhã do 3º domingo. Esse programa apresenta uma linguagem erudita para as crianças. Sua temática é o assobio, som bucal, que também é emitido por diversos outros objetos, tais como flauta, chaleiras, apito de trem, entre outros. Os locutores, com uma qualidade ímpar, apresentam aos ouvintes uma diversidade de assuntos relacionados a esse som universal. Filmes e desenhos animados são tratados de maneira dinâmica e educativa, explorando a sonoridade de cada obra. Pedro e Júlia divertem as crianças, aguçando a curiosidade das mesmas a conhecerem a cultura de conjuntos musicais, literários, cinematográficos e, ao mesmo tempo, promove a inserção da criança em seu próprio contexto cotidiano.
            Com uma linguagem mais popular e acessível, a “Rádio Maluca”, que surgiu em 1994, propõe cultura às crianças de forma mais interativa. O programa utiliza um formato já extinto na maioria das rádios brasileiras, o auditório. O apresentador Zé Zuca dirige o programa e a participação direta das crianças. Por meio de enquetes, brincadeiras e com a participação de músicos e contadores de histórias, o locutor envolve a platéia com uma linguagem informal e agradável. A “Rádio Maluca” é transmitida todos os sábados de 11h às 12h.
            Rádios como estas, de cunho educativo, não sofrem a pressão do mercado capitalista, e talvez seja por isso que em rádios convencionais não encontramos programas de igual formato. Outra questão relevante é a carência de investimentos em conteúdos de comunicação voltados ao público infantil, sugerindo que este público já é fruto da linguagem das novas mídias e que não cabe o investimento do rádio neste setor.
            Para aqueles que quiserem apreciar estas raridades do veículo radiofônico, não precisam descartar as novas mídias, basta acessar os sites www.radiomec.com.br e www.radio.usp.br e conferir. Esta seria uma boa proposta para o nosso curso de jornalismo, recentemente criado na UFSJ, uma vez que universidades possibilitam projetos experimentais como estes.

                                                                                                 Por Emanuel Machado e Mariana Fernandes
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Morumbi fora da Copa 2014


   (foto: tales.ebner)

Nessa época de Copa do Mundo, em que todos os olhos estão voltados para a África do Sul,nós brasileiros já estamos imaginando como será quando nós formos os donos da casa no próximo Mundial em 2014.
Já é hora de começar a arrumar a casa para receber com qualidade as seleções e os milhares de torcedores que virão do mundo inteiro. E foi nesse clima foi noticiado que o Estádio Cícero Pompeu de Toledo, o Morumbi, não vai sediar nenhum jogo da copa por não atender as exigências da FIFA. 
O fato do Morumbi ficar fora da copa 2014 é tratado de maneira diferente pelo jornal O Globo e pela Folha de São Paulo.
O Globo fez uma matéria maior e aparentemente mais completa, dando voz a vários personagens envolvidos neste “teatro”. Trata de maneira mais clara a saída do Morumbi como sede da copa 2014, relatando os motivos da saída e dando espaço para as declarações da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) e para o ministro dos esportes Orlando Silva. Alem de usar matérias de outras mídias (Jovem Pan) para enriquecer sua reportagem. Porem não parece ter feito uma apuração tão profunda dos pareceres dos representantes do São Paulo Futebol Clube, proprietário do estádio, se atendo apenas a dizer que: “O São Paulo Futebol Clube ainda não se pronunciou sobre a nota da CBF”.
Já a Folha de São Paulo relata o fato como uma disputa entre Ricardo Teixeira e o presidente do clube do São Paulo Juvenal Juvêncio, vencendo o presidente da CBF. A fala de Ricardo Teixeira no jornal foi retirada de uma entrevista a uma TV, pois ele não quis dar declarações à Folha. A matéria sugere ao leitor que o estádio foi cortado devido a disputa política dos presidentes, apesar de mostrar que o corte também está relacionado ao modesto projeto apresentado pelo clube, bem abaixo do esperado pela FIFA.
Para os leitores destes jornais a impressão passada é totalmente diferente, mesmo com ambas as matérias contando a mesma história. Quem lê apenas “O Globo” criará o conceito de que a exclusão do Morumbi da copa de 2014 foi pautada apenas por questões estruturais de um estádio que, por questões financeiras, não conseguiu atender as exigências da FIFA para o mundial. Contudo aqueles que lêem a “Folha de São Paulo” é convencido pela idéia de que nos bastidores dos preparativos para a Copa do mundo no Brasil existe um intenso jogo político disputado pela CBF e presidentes de alguns clubes, dentre eles o do São Paulo, e que a exclusão do Morumbi é apenas fruto de mais uma destas quedas de braço vencida pelo presidente da CBF, Ricardo Teixeira.

                                                                                                                          Por Valéria e Jesse 
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A dificuldade da imprensa radiofônica em passar informação na copa 2010.



Em uma Copa do Mundo muito disputada como a que se mostra a da África do Sul, certas peculiaridades são imprescindíveis para se conseguir sucesso em uma partida. Porém o exagero destas pode ocasionar problemas em outros meios, que estão diretamente ligados ao futebol.
A copa que está sendo disputada na África do Sul é talvez a de maior cobertura midiática de todos os tempos. Tendo em vista esse aspecto, a quantidade de informações que são passadas pela imprensa é muito grande, podendo acarretar insatisfações entre as seleções participantes, que, dependendo da notícia, sentem seus planos na competição ameaçados.
Colocando em pauta essa questão polêmica, analisamos matérias de duas rádios que estão cobrindo a Copa do Mundo - a rádio Globo e a rádio ESPN. Em ambas, notícias desse gênero foram comuns dando a visão de claro descontentamento por parte de alguns repórteres.
No treino da Coréia do Norte, alguns jornalistas foram retirados pela polícia após algumas filmagens feitas, que de acordo com a assessoria da seleção norte-coreana não foram permitidas. Na seleção brasileira não foi diferente. Foram liberados à imprensa apenas 15 minutos onde os jogadores estavam se aquecendo. O treino coletivo foi feito a portas fechadas e mais uma vez os jornalistas ficaram decepcionados. Mas este não é o único problema da cobertura brasileira na copa. No programa da radio globo - Globo na Copa - o técnico Dunga disse que não gosta de dar o dia livre a seus jogadores, pois acaba sendo um dia de trabalho devido à ação dos jornalistas que sempre estão em cima. O goleiro do Brasil Júlio César foi mais diplomático. Em uma coletiva de imprensa disse que não gosta de dar entrevista, mas faz parte do trabalho.
O que fica evidente nas matérias analisadas é também o problema que os repórteres enfrentam para obterem notícias fundamentais para uma cobertura bem feita de um evento como o Mundial, tais como contusões, escalação e clima do grupo.
Além disso, pode-se perceber um contato bem menor dos jogadores com a torcida, o que anda frustrando alguns torcedores que ficam na porta do treino e são proibidos de entrar.
Estes são pontos muito polêmicos da discussão, porque os jornalistas precisam de informações para trabalhar, o público também quer saber o máximo sobre os selecionados de seu país, mas equipes não querem correr o risco de serem espionadas em treino por outras seleções. É um impasse complicado, mas o que não pode acontecer são certos excessos de cuidado, para não atrapalhar a função de nenhuma das partes que não estão fazendo nada além do seu trabalho.

                                                                                                       Por Thiago Longatti e Emanuelle
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Kleber retorna ao Palmeiras


                  (Foto: Gustavo Tilio / GLOBOESPORTE.COM)

Após mais de um ano jogando no Cruzeiro, o atacante Kleber retornou ao Palmeiras no dia 9 de junho. Polêmico, o jogador, também conhecido como o Gladiador, causa uma divergência de opiniões entre os torcedores das duas equipes.
Duas emissoras abordaram o tema em seus respectivos programas, a Rede Record, com o programa Esporte Fantástico, e o SporTV, com o Troca de Passes.
Ao analisar as duas matérias percebe-se que o programa da Record, exibido no dia 12 de junho, aborda com maior intensidade a opinião dos torcedores sobre o jogador, chegando a entrevistar pessoas que torcem para um dos dois times. Na reportagem também há a exibição de um vídeo de um torcedor cruzeirense fazendo duras críticas ao atacante.  Nessa matéria encontra-se uma linguagem mais descontraída, informal, o que deixa a notícia mais leve.
Já o programa Troca de Passes, exibido no dia 9 de junho, aborda a notícia com um estilo diferente, apenas comenta alguns detalhes da transferência e entrevista o jogador ao vivo. Isso o diferencia muito do primeiro programa, pois aborda mais a expectativa e pretensões do atleta e não da torcida de ambos os clubes.
Com a comparação, pode-se observar a diferença das duas reportagens que relatam o mesmo tema. A primeira trata o retorno de Kleber de modo festivo, como uma celebração ao que a torcida do Palmeiras esperava. Já a segunda, com a entrevista, os objetivos do atacante são o foco principal da matéria, o que a deixa mais séria e mais imparcial. No entanto, as duas emissoras convergem ao concordar que o jogador acertou ao retornar ao Palmeiras, ao dizerem que “Kléber voltou ao clube de onde nunca deveria ter saído”.

      
                                                                                                                      Por Gabriel e Luisa
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